MARÇO 2016
A FELICIDADE DAS CRIANÇAS
Dr. Paulo Rego Sousa
Pediatra e Neuropediatra
pregosousa@gmail.com

Escrevo este pequeno artigo com alguma angústia pela noção da grande responsabilidade em escrever um tema que é certamente aquilo que um Pai mais deseja para um filho – A Felicidade.
Também o faço, não só como visão de Pediatra e Neuropediatra, mas com a visão de pai e de quem se preocupa com o bem-estar biopsicossocial da criança. Desde que aceitei o repto de escrever este artigo, decidi perguntar a algumas crianças o significado para elas de felicidade. Maioritariamente responderam que se tratava de “estar com as pessoas de quem mais gostamos e em harmonia”, “estar junto de alguém que nos perceba e compreenda” e “é quando a criança recebe carinho e amor”.
As três respostas anteriores são realmente a base da felicidade das crianças e focam-se principalmente nas pessoas em que a criança está mais diretamente relacionada, significando que os Pais/Educadores são os “alicerces” para o desenvolvimento emocional da criança.
Os Pais têm de ter a noção de que ninguém é feliz a toda a hora da sua vida. As crianças necessitam de aprender a tolerar as frustrações e até momentos de infelicidade, de forma a desenvolverem a sua resiliência.
Os Pais/Educadores como “alicerces” da sua vida têm como objetivo ensiná-los a fazer a caminhada da sua vida, ensinando-os de que a vida por vezes não é justa e por outras imprevisível. Isto significa que devemos guiá-los na caminhada, mas não levá-los ao colo. 
Certamente não será necessário dizer que o “ter” não é significado de felicidade, e que cada vez mais as crianças têm mais coisas e isso não significa que são mais felizes, isto porque a oferta atual de bens de consumo não tem fim, e vai continuando de ano para ano e em adequação à faixa etária.
Por outro lado, a sociedade também está cada vez mais exigente para com os Pais/Educadores, onde são obrigados a dedicar mais tempo ao trabalho, frequentemente com horários precários, o que leva por vezes a uma tendência para a compensação através de privilégios (televisão no quarto, videojogos...), criando um ciclo vicioso, por um lado de troca comercial “se te portares bem eu dou-te qualquer coisa” e “eu porto-me bem ser receber algo” e, por outro, onde a criança passa muito tempo na escola e quando chega a casa, ao invés de estar com os pais, está junto dos ecrãs.
A pressão que existe da sociedade não está somente dirigida aos Pais/Educadores, também está direcionada à criança: É a exigência à criança de estar cada vez mais tempo na escola, é a exigência de programas curriculares por vezes não adequados à fase de desenvolvimento da criança, é a pressão escolar para que o aluno seja de excelência em todas as disciplinas curriculares, esquecendo-nos de que nem todos poderemos ser Fernando Pessoa e ao mesmo tempo Albert Einstein. A Sociedade, os Pais e Educadores têm de saber aceitar que a felicidade das crianças também está dependente na aceitação e compreensão das suas necessidades e diferenças.
Realmente, a felicidade não se compra, nem se alcança, tem de ser criada e recriada dia após dia, através de pequenos e importante gestos. Desse modo, longe de ter a chave para a felicidade das crianças, gostaria de partilhar alguns conselhos de forma a otimizar o potencial de felicidade de uma Criança: 

1. AME o seu filho como ele é, não significa que não deva exigir dele, mas também deve ter a noção das suas limitações;
2. Ganhe TEMPO, estando com o seu filho tempo de qualidade, faça atividades e brinque com ele, serão as melhores recordações do seu filho;
3. Tenha OPTIMISMO para com o seu filho. As crianças educadas com otimistíssimo e positivismo tornam-se pessoas mais responsáveis, persistentes e generosas; 
4. Saiba dizer NÃO. As crianças necessitam de regras e rotinas, desde o berço, senão tornam-se pouco tolerantes, com dificuldade em aceitar restrições de privilégios e consequentemente mais dados a frustrações e baixa resiliência;
5. Ensine a AUTONOMIA. As crianças necessitam de vivenciar vitórias, mas também derrotas, necessitam por vezes de fazer as próprias escolhas, isto potencia a autoestima e a confiança em próprias;
6. Ensine o seu filho a dizer OBRIGADO, mais do que estar a ensinar a ser educado, está a ensinar o seu filho a ser grato por aquilo que recebe;
7. Deixe a criança a EXPRIMIR as suas emoções. Nem sempre estamos felizes, nem sempre a vida corre da forma como idealizamos e não faz mal por vezes sentir-nos tristes ou frustrados;
8. Seja um EXEMPLO para o seu filho, demonstre positivismo, tempo para a sua família e suas atividades, diga obrigado, demonstre o seu amor para com ele e sua família, as crianças aprendem por observação e imitação;

“Para mim Felicidade é sentir o amor e compreensão, e estar com os meus pais” 

 


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