FEVEREIRO 2011
DOENÇA DO TRATO URINÁRIO INFERIOR FELINO
Dr. Paulo Araújo - Médico Veterinário
vetfunchal@mail.telepac.pt

Dada a sua frequência em Clínica Felina, a problemática da Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF) é particularmente relevante. Os gatos com DTUIF normalmente apresentam dor e dificuldade em urinar (disúria), aumento da frequência urinária (polaquiúria) e sangue na urina (hematúria). Por vezes, lambem insistentemente a região genital e urinam fora dos locais habituais. É uma patologia mais frequente em gatos de meia-idade, obesos e sedentários, que urinam em caixas de areia e que têm acesso restrito ao exterior.

Apesar de os animais afectados manifestarem sintomas similares, as causas potenciais são múltiplas, tais como, infecções urinárias, cálculos urinários e tampões uretrais. Dada a multiplicidade das causas, o seu diagnóstico preciso não é fácil, tendo o veterinário a necessidade de efectuar testes auxiliares de diagnóstico como sejam análises de urina, análises de sangue, ecografias, radiografias e uroculturas.

As causas mais comuns de DTUIF são: cistite idiopática felina (CIF), urolitíase vesical (pedras na bexiga) e obstrução uretral.

A cistite idiopática felina é a causa mais frequente de DTUIF. Trata-se de uma inflamação intersticial da bexiga e o seu diagnóstico é feito por exclusão, ou seja, depois de todas as outras causas de DTUIF serem excluídas como hipóteses. Os dois principais sintomas são: dificuldade em urinar e presença de sangue na urina. A causa mais frequente de CIF é o stress, normalmente devido a alterações do meio ambiente em que o animal está inserido, tais como modificação dos horários das refeições ou introdução de novos animais na habitação. Para reduzir os riscos de stress deve proporcionar-se ao gato um local sossegado e limpo para poder urinar e também a oportunidade para manifestar o seu instinto predador, fornecendo, por exemplo, postes para treparem e brinquedos que possam caçar. A dieta e os horários de alimentação devem ser mantidos o mais possível.

Os cálculos urinários, ou urólitos, são outra causa possível de DTUIF. Os gatos com urólitos exibem os sinais comuns desta síndrome. Os dois tipos de cálculos mais frequentes são estruvite e oxalato de cálcio. Radiografias ou ecografias são necessárias para o seu diagnóstico e o tratamento depende do tipo de cálculo, no entanto, a cirurgia para a sua remoção é frequentemente necessária.

O problema mais grave associado com DTUIF é a obstrução uretral. A obstrução parcial ou total da uretra de um gato é uma situação de grande gravidade, podendo inclusive levar à sua morte. Esta obstrução pode ser devida quer a urólitos, quer a tampões uretrais. Gatos machos têm um risco acrescido para a obstrução uretral visto terem uma uretra mais longa e estreita. Trata-se de uma emergência que necessita de intervenção imediata de um veterinário.

Se a obstrução é completa, os rins não têm capacidade de remover as toxinas da corrente sanguínea e manter o equilíbrio adequado entre os fluidos e electrólitos do corpo, podendo acontecer a morte do animal em menos de 24 horas. O tratamento envolve sempre uma algaliação (passagem de um cateter através da uretra). Por vezes, e tendo em conta a severidade e duração da obstrução, é necessária uma hospitalização que pode variar entre alguns dias a semanas.

Nos animais que apresentam obstruções recorrentes e frequentes, a cirurgia (uretrostomia perineal) é o tratamento de eleição. A uretrostomia perineal consiste na remoção do pénis e da porção mais estreita da uretra, deixando assim uma abertura maior da uretra remanescente. Os efeitos secundários desta cirurgia incluem: hemorragia da zona da cirurgia (por vezes durante mais de 10 dias); estreitamento do orifício da uretra devido à retracção cicatricial, incontinência urinária e infecções da bexiga. Por via destes efeitos secundários, a cirurgia só deve ser realizada como último recurso.

Por último, deixo alguns conselhos pertinentes para a prevenção desta patologia:

•    alimente o seu gato com pequenas refeições mas com uma maior frequência;
•    dê ao gato uma alimentação mista, ou seja, seca e húmida;
•    os gatos com tendência para cristalúria devem ser alimentados com uma ração que lhes proporcione uma acidificação do Ph urinário;
•    o gato deve sempre ter disponível água fresca todo o dia e em vários locais da casa (ex. fontes eléctricas espalhadas pela casa);
•    tenha um número de sanitas adequado ao número de animais e sempre limpas (ter  mais uma sanita do que o número de gatos que tem em casa);  
•    as sanitas devem estar num local sossegado e de fácil acesso;
•    evite alterações à rotina dos gatos.

 


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