MARÇO 2016
IMPOTÊNCIA ATINGE METADE DOS HOMENS COM MAIS DE 50 ANOS
Dr. Ferdinando Pereira 
Urologista
ferdinandompereira@gmail.com

A disfunção eréctil ou impotência ainda é um assunto tabu. No dia 14 de Fevereiro assinalou-se o Dia da Disfunção Eréctil, é útil relembrar que os homens ainda têm alguns preconceitos em consultar um médico para falar da disfunção eréctil, embora, nos últimos anos, são cada vez mais aqueles que, muitas vezes encorajados pelas companheiras, acabam por procurar ajuda especializada.
As estimativas apontam para que metade dos homens com mais de 50 anos sofram de disfunção eréctil. A situação torna-se mais frequente com o avançar da idade. “Se até aos 40 anos a prevalência é de 15 a 20%, depois dos 75 anos é de 80%”.
E a idade é mesmo um dos maiores fatores de risco para a disfunção eréctil. “À medida que o homem vai envelhecendo, as artérias vão sofrendo os efeitos da aterosclerose e assim se explica que a incidência seja baixa antes dos 40 anos e depois vá aumentando”.

Primeiro sintoma de algumas doenças importantes
Hoje em dia, a literatura médica já reconhece que a disfunção eréctil é mesmo um dos primeiros sintomas de algumas doenças importantes. “Da doença coronária, da diabetes e até das doenças da próstata”. “Cerca de 50% dos homens com doenças da próstata apresentam disfunção”. Além disso, faz –se questão de sublinhar que existe uma relação direta entre os fatores de risco da doença cardíaca e a impotência. “Como as artérias do pénis são artérias terminais, de calibre muito fino, assim se explica que alguns doentes com disfunção eréctil, cinco ou seis anos depois do diagnóstico desta problemática, venham a ter problemas cardíacos e nomeadamente enfartes do miocárdio”, razão do nosso alerta para esta problemática.
São também fatores de risco para a disfunção eréctil, a obesidade, a hipertensão arterial, patologias crónicas renais, hepáticas e pulmonares, alguns tratamentos farmacológicos (por exemplo para o cancro da próstata ou anti-depressivos), traumatismos da coluna e doenças neurológicas (AVC, doença de Parkinson).  O tabagismo, o consumo de álcool e de drogas, também concorrem para uma situação de impotência. Homens que são submetidos a algumas intervenções cirúrgicas (pélvicas, colo-rectais, prostatectomias) também podem ficar com disfunção. 
Daí chamar a atenção para o facto de ser possível prevenir a disfunção eréctil, adotando estilos de vida saudáveis, combatendo a obesidade e a hipertensão e evitando o recurso ao álcool e às drogas. 

Ritmo de vida moderno pode levar à disfunção 
Além de fatores de risco fisiológicos ou orgânicos, também há fatores psicológicos que não podem ser relegados para um segundo plano. É o caso do stress, da ansiedade, da depressão, situações que são cada vez mais comuns com o atual ritmo de vida das sociedades e, sobretudo, com o período económico conturbado que vivemos. 
É certo porém que todos os homens experimentam episódios esporádicos de impotência sexual ao longo do vida, causados por cansaço, stress ou outras situações transitórias como uma simples discussão com a companheira. A disfunção propriamente dita só é considerada como tal quando se trata de um problema prolongado no tempo. “Se persistir durante pelo menos 3 meses, o homem deve procurar ajuda médica”, até porque esta é uma problemática que está subdiagnosticada em Portugal: dos 500 mil homens que se estima sofrerem de impotência, apenas 20% estão diagnosticados. “É importante vencermos o preconceito. Há tratamentos para ajudar, que vão melhorar a qualidade de vida do homem e dos casais e consequentemente da vida em sociedade.

Em suma 
Hoje em dia a disfunção eréctil é uma situação que tem vários tratamentos eficazes. Estes tratamentos vão dos comprimidos às próteses. Os mais habituais e utilizados na maioria dos casos são aqueles sob a forma de comprimidos, que começaram a ser comercializados em 1998. “Constituem a chamada ‘primeira linha’ de tratamento. “Hoje em dia existem várias marcas de medicamentos que são todos eficazes para o tratamento da disfunção”, chamamos ainda a atenção para o facto dos tratamentos com comprimidos necessitarem de ser adaptados a cada situação, devendo ser por isso apenas tomados mediante prescrição médica.
Quando os comprimidos não resolvem o problema, existem outras hipóteses de tratamento como a injeção de medicamentos vaso-ativos no pénis (doente auto-injeta-se), os comprimidos intra-ureterais (o doente coloca o comprimido na uretra), o recurso a dispositivos de vácuo, os tratamentos hormonais (testosterona) e finalmente as próteses penianas, que são utilizadas apenas em 1% dos casos de disfunção eréctil. 
Mas a verdade é que os tratamentos não atuam sozinhos. “O papel da companheira é fundamental, porque se a companheira motivar o doente, este terá melhor qualidade de vida, sentir-se-á melhor e vai tornar também a companheira mais feliz e a uma melhor vida em casal. Importante que todos os tratamentos devam ser prescritos pelo médico e não se deve comprar medicamentos através da internet, já que estes fármacos não estão sujeitos a controlo de qualidade e podem se prejudiciais para a saúde.
É possível prevenir a disfunção erétil adotando estilos de vida e alimentação saudáveis, combater o sedentarismo a hipercolesterolémia, a obesidade, diabetes e a hipertensão, evitando o recurso ao tabaco, álcool e às drogas.


 


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