JANEIRO 2016
A SAÚDE MENTAL DOS JOVENS NO SÉCULO XXI
Dra. Helena Gonçalves Jardim
Professora Coordenadora da Escola Superior de Saúde da Universidade da Madeira.
Investigadora FCT da UICISA:E – Coimbra 
Enfermeira doutorada em desenvolvimento e intervenção psicológica e em ciências de enfermagem 
hjardim@uma.pt

A calamidade global ecológica e antagónica, coloca os jovens num impasse, arriscando-se a destruírem a natureza e a serem eles mesmos vítimas dessa degradação, manifestando insegurança, revolta, agressividade, ansiedade, depressão e, até mesmo alguns, exibindo ideações suicidas comprometendo a sua própria existência. 
Sublinha-se a indispensável transformação global da conduta irrefletida da humanidade pois se não houver sinergia, entre progressos científicos, invenções tecnológicas e desenvolvimento eco¬nómico para edificar um incremento sociomoral, os mesmos debelar-se-ão neces¬sariamente contra o homem. A humanidade espelha, na atualidade, uma primazia pela economia em detrimento do humano e social, especificamente na defesa de princípios e valores. A ética do vale tudo, do descartável, do efémero, do viver o hoje sem amanhã, gera jovens sem referências, sem horizontes, sem perspetivas de futuro.
A adolescência detém um papel crucial no desenvolvimento de qualquer indivíduo, sendo múltiplos os fatores económicos e sociais que desencadeiam a ansiedade, a depressão e as perturbações suicidas, problemas de saúde mental de relevo que sobressaem nos períodos de crise e insegurança globais como os que vivenciamos presentemente. Uma pesquisa nossa realizada, a uma amostra representativa de jovens estudantes dos 12 aos 18 anos de idade que frequentam as escolas básicas e secundárias da Madeira e Porto Santo, no ano letivo 2014-2015, confirmou que a maioria dos jovens não apresenta depressão (81,5%), nem risco suicidário (67,7%). Todavia 18,2% manifestam humor depressivo e 6,7% risco suicidário importante, o que não deixa de ser preocupante, pois são adolescentes que se encontram em sofrimento psicológico. Verificou-se uma associação significativa entre a ansiedade, a depressão e o risco de suicídio, bem como na comparação destas perturbações com o grupo etário, a escolaridade, o género (os valores mais elevados situam-se no grupo dos mais velhos e à medida que aumenta a escolaridade), o insucesso escolar e os pais não serem casados. Ainda como fatores preditores de risco daquelas perturbações mentais, temos o facto de os jovens referirem sofrer de alguma doença, não conviverem com os colegas, não praticarem exercício físico, bem como o consumirem bebidas alcoólicas e drogas. Esta análise inferencial permitiu corroborar os resultados obtidos em variadíssimos estudos e evidencia a premência de incidir precocemente na prevenção e a promoção da saúde mental dos adolescentes, que manifestam vulnerabilidade no surgimento destas patologias, que no futuro, poderão acarretar desfechos dramáticos na vida adulta. A Organização Mundial de Saúde (2014) e a Direção Geral de Saúde no seu Plano de 2013 a 2017 preconizam como um imperativo global a prevenção destas perturbações mentais, por serem problemas graves de saúde pública, evitáveis em idades precoces, implicando intervenções multiculturais e multidisciplinares específicas e ajustadas de diversos profissionais (Saúde, Educação, Ciências Sociais, Humanas e outras), dos responsáveis políticos e de toda a sociedade, contribuindo para o fomento do bem-estar e da melhoria do contexto social das pessoas e suas famílias.
A Região Autónoma da Madeira sendo um meio tradicional em termos familiares, espirituais, socioculturais e políticos, todavia simultaneamente cosmopolita, hospitaleira e aberta ao exterior, não impossibilita que os jovens se confrontem, amiudadamente, com problemas de isolamento, competição, inveja, desemprego, xenofobia, uso constante das redes sociais, acessibilidade na utilização de substâncias aditivas e outros. Por conseguinte, toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo re¬quer mudanças profundas nos estilos de vida dos jovens, no comportamento irresponsável na preservação da natureza, nos modelos de produção/consumo e nas es¬truturas consolidadas de poder que hoje regem a nossa coletividade.

Uma pesquisa nossa realizada, a uma amostra representativa de jovens estudantes dos 12 aos 18 anos de idade que frequentam as escolas básicas e secundárias da Madeira e Porto Santo, no ano letivo 2014-2015, confirmou que a maioria dos jovens não apresenta depressão (81,5%), nem risco suicidário (67,7%). Todavia 18,2% manifestam humor depressivo. 





 


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