JULHO 2012
PROBIÓTICOS E PRÉBIÓTICOS
Dra. Joana Silva Afonso - Nutricionista
joanaoliveirasilva31@gmail.com

A última vez que nos encontramos, sob a temática do Leite e Derivados, foi levantada uma pontinha do véu no que concerne aos Probióticos. Ora, os Probióticos ou alimentos probióticos definem-se por “microorganismos vivos que quando administrados em quantidades suficientes, conferem benefícios para a saúde dos hospedeiros”. 

As principais espécies de micróbios utilizados nos Probióticos são as Lactobacillus e Bifidobacterium, no entanto também se utilizam a Saccharomyces cerevisiae, Propionibacterium, algumas espécies de E. Coli e Bacillus.

Os benefícios dos Probióticos estão normalmente relacionados com a estrutura e funcionamento/função do organismo. O principal órgão-alvo dos Probióticos é o intestino.  

Intestino e Probióticos

Os intestinos são constituídos por cerca de 10 triliões de microorganismos, sob a designação de microflora intestinal. Os principais colonizadores da microflora são os anaeróbios restritos nomeadamente Bacteriodes, Eubacterium, Bifidobacterium, Fusobacterium, Peptostreptococcus, e Atopobium. Os anaeróbios facultativos têm uma contagem menor e representam-se pelos Lactobacillus, Enterococcos, Streptococcos e Enterobacteriaceae.

Os Probióticos atuam a nível da estimulação da ação e crescimento da microflora intestinal, mas não só, vão também modular a resposta imunológica, a permeabilidade intestinal e a translocação bacteriana.

O Probiótico mais comum é sem dúvida o iogurte, mas a indústria alimentar não fica por aqui, sendo possível encontrar probióticos em queijos, leites fermentados, sumos, smoothies, cereais, e em fórmulas infantis, por exemplo.

Estão cientificamente comprovados os seguintes efeitos:
- Prevenção e/ou redução da duração e queixas de diarreia induzida por rotavirus ou associada a antibióticos, assim como o alívio de queixas devido a intolerância à lactose;
- Promoção do bom funcionamento do trânsito intestinal em pessoas saudáveis;
- Efeitos benéficos nas doenças inflamatórias intestinais;
- Normalização de passagem das fezes e consistência das fezes em indivíduos que sofrem de obstipação ou síndroma do cólon irritável;
- Prevenção ou atenuação de alergias e doenças atópicas em lactentes; 

A nível dos produtos disponíveis no mercado, existem diferenças significativas na eficácia demonstrada e a mensagem publicitada, pelo que é necessário fundamentarmo-nos bem em estudos realizados em humanos e sabermos que quantidade do produto será necessária para produzir o efeito.

Prébióticos

Os Prébióticos são ingredientes alimentares não digeríveis, (fibra alimentar) que vão exercer um efeito benéfico no organismo através da estimulação da acção e do crescimento da microflora intestinal, principalmente dos Lactobacillus e Bifidobacterium. Para além desta estimulação, os Prébióticos, incrementam a absorção de minerais (cálcio), aumentam o bolo fecal e a motilidade intestinal, diminuindo o tempo de absorção de produtos do metabolismo, nomeadamente os lípidos, reduzindo assim os seus níveis no sangue. Estão também descritos efeitos a nível da redução da síntese hepática de ácidos gordos e triglicerídeos. 

Os Prébióticos mais utilizados são os oligossacarídeos, inulina e oligofrutose e a lactulose. 

A lactulose é um dissacarídeo sintético, utilizado principalmente para o tratamento da obstipação. A inulina e a oligofrutose, estão presentes em alimentos como trigo, cebolas, bananas, mel, e alho, mas não em quantidade suficiente para se verificarem os efeitos fisiológicos descritos.  

Entre os produtos disponíveis no mercado que são veículo de Prébioticos, encontram-se normalmente pão, cereais, bolachas e biscoitos, fórmulas infantis, iogurtes e bebidas, bem como diversos suplementos dietéticos. 

Em suma, tanto os Probióticos como os Prebióticos têm efeitos fisiológicos positivos no nosso organismo, sendo os mais estudados e com provas dadas, os relacionados com o melhoramento do funcionamento gastrointestinal, o reforço do sistema imunitário, a produção de substâncias antibacterianas e a acção sobre o colesterol. 
Em relação à dose diária recomendada, deverá seguir as indicações fornecidas pela empresa/entidade que lança o produto no mercado. Também é bom lembrar que uma vez que estes alimentos não fazem parte da microflora intestinal, é necessária a sua toma diária e continuada para se manter o efeito fisiológico benéfico.


 


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