Dra. Diana Silva - Nutricionista silva.dianamc@gmail.com Hoje em dia, quando nos deslocamos a um supermercado, encontramos corredores repletos de alimentos com as mais diversas menções alimentares. Muitas delas não percebemos, ou alteramos, inadvertidamente, o seu significado. É verdade que os produtos possuem um cartão-de-visita, o rótulo, onde encontramos um conjunto de informações relativas à composição, quantidade, qualidade, validade, entre outras características. Mas os consumidores lêem estas informações? E mais importante ainda, compreendem? Muita dessa informação veiculada através dos rótulos não está acessível a todas as pessoas e por vezes é pouco legível. A indústria alimentar tem tentado adaptar-se às necessidades dos consumidores e melhorar a qualidade dos seus produtos, mas a mensagem nem sempre chega de forma clara e inequívoca. As formas de fazer chegar essas mensagens contidas no rótulo nutricional são diversas: tabela nutricional, método do semáforo, doses recomendadas, logos de saúde, entre outros. Mas continuam a ser criados alguns mitos à volta dos conteúdos difundidos nos rótulos nutricionais. Quando falamos de produtos diet ou light as pessoas não sabem destrinçar um do outro, cometendo-se erros alimentares. Para tal deixar de acontecer, é preciso clarificar as pessoas acerca do significado destas menções e de que forma podem estes produtos ser utilizados na sua alimentação. Nos rótulos é permitido constar alegações nutricionais que são declarações, ou sugestões, ou implicações de que o produto possui propriedades nutricionais benéficas particulares, devido ao valor calórico ou ao teor em algum componente nutricional. O termo light é utilizado para designar uma redução de pelo menos 25 por cento do valor calórico, quer seja em gordura, hidratos de carbono ou proteínas. A denominação diet aplica-se se for totalmente excluído determinado componente, por exemplo sal, açúcar, gordura, glúten, etc. Quando estamos na dúvida sobre a aquisição de produtos com este tipo de menções, é necessário questionar o papel e a importância dos mesmos e qual o objectivo da sua compra. Nem todos os géneros light ou diet são saudáveis. Podemos estar a falar de refrigerantes, natas, gelados, caldos concentrados, entre outros. Mas também podemos estar a referir iogurtes, pão, manteiga, cereais de pequeno-almoço, etc. De uma forma geral, para fazer uma alimentação saudável e equilibrada não será necessário recorrer a produtos específicos ou com características especiais, porque a alimentação tem capacidade de fornecer tudo o que é essencial. E se o propósito for perder peso? Mesmo assim não é forçoso socorrer-se deste tipo de alimentos. Se a intenção for diminuir a ingestão de determinado componente nutricional, poderá ser vantajoso: numa situação de restrição do sal (hipertensão), na impossibilidade de consumir alimentos com glúten (doença celíaca), na necessidade de diminuir o teor de gordura (colesterol elevado), entre outros casos. Em qualquer das situações, podemos ser induzidos em erro e utilizar estes géneros de forma errónea. A eliminação de determinado componente nutricional não traduz redução do valor calórico, pelo contrário. Por vezes pode até ter mais, porque para manter o gosto ou a consistência do produto será preciso adicionar outros compostos. Isto acontece, por exemplo, com alguns chocolates. A reacção das pessoas a este tipo de géneros alimentícios por vezes é errada. Uma ideia comum é que se um alimento contém menos calorias, gordura, açúcar, pode-se comer mais um pouco, acabando por consumir acima do habitual. Outra das situações tem a ver com a eliminação de um componente nutricional que é substituído por um sucedâneo. Por exemplo, existem alimentos processados com extracção do açúcar, mas na composição aparecem outras formas de açúcar, nomeadamente mel, melaço, dextrose, etc. A melhor forma de prevenir estes erros é passar algum tempo a ler os rótulos, fazendo assim escolhas mais conscienciosas. É preciso interpretar o rótulo no seu todo. De toda a maneira, prefira produtos com baixo teor de lípidos e colesterol, evite alimentos salgados, opte por aqueles que são ricos em amido e pobres em açúcar e não se esqueça que a lista de ingredientes está por ordem decrescente do peso que tem no produto. Quando fizer as suas compras tenha mais atenção ao que traz para casa. Desta forma, estará a contribuir para uma alimentação mais informada e criteriosa. |

