OUTUBRO 2009
CALOS E CALOSIDADES: DÊ PASSOS ACERTADOS E NÃO NEGLIGENCIE O SEU “SEGUNDO CORAÇÃO”

Dr. Élvio Sousa*

“Os pés são uma obra perfeita de arquitectura, agilidade e potência.”
Leonardo da Vinci

Os pés constituem a base de sustentação do corpo humano e funcionam como “um segundo coração” permitindo, graças à sua especificidade dinâmica, que o sangue seja bombeado em sentido ascendente. Mesmo sujeitos a uma elevada tensão, os pés possuem a capacidade de se adaptarem às exigências do meio potenciadas pelo estilo de vida moderno. Estes preciosos membros inferiores são muitas vezes negligenciados, excepto quando existe dor ou deformidades que dificultam a marcha. Os calos e as calosidades podem estar na origem desse desconforto.

Os calos e as calosidades são lesões hiperqueratóticas (produção excessiva de queratina), comuns e generalizadas, aumentando a sua frequência e dimensão com a idade. Surgem habitualmente nos pés, mãos ou noutras zonas do corpo que estejam sujeitas a pressão ou fricção, particularmente na presença de uma proeminência óssea. As causas dos calos e das calosidades podem ser externas (como por exemplo, pelo uso de calçado inadequado) ou internas (exemplo: alteração estrutural do pé). Apenas é possível tratar definitivamente os calos e as calosidades eliminando a fonte de pressão/fricção.

Calos

Lesões proeminentes, com contornos bem definidos e diâmetro variável. Podem ter consistência dura ou mole, sendo estes últimos geralmente localizados nos espaços interdigitais (entre os dedos) e mais dolorosos.

Causas dos calos:

- Saliências ósseas subjacentes, mesmo em zonas que não suportem o peso corporal;
- Uso de sapatos apertados e/ou de formato inadequado, por exemplo demasiado estreitos na zona dos dedos ou de salto alto (a aglomeração dos dedos causa pressão e fricção especialmente acentuadas no 5.º dedo, por ser o mais lateral).

Calosidades

Espessamentos da pele relativamente uniformes, geralmente sem limites bem definidos e com dimensão variável. Formam-se no topo das articulações e nas áreas de suporte do peso corporal (planta dos pés). Geralmente não existem queixas de sintomas, excepto quando existe pressão sobre as calosidades.

Causas das calosidades:

- Andar descalço em terreno irregular;
- Fricção causada por calçado demasiado largo;
- Problemas estruturais, como por exemplo uma distribuição inadequada do peso corporal, a existência de joanetes e, no caso de calosidades nas mãos, o trabalho manual.

O que fazer?

Tratamento medicamentoso:

Os medicamentos mais seguros e eficazes com aplicação sobre os calos e as calosidades contêm ácido salicílico: um fármaco que actua diminuindo a produção de queratina e promovendo a hidratação das células endurecidas. O ácido salicílico pode apresentar-se sob a forma de líquido, penso ou pomada, cuja concentração pode variar entre os 12% e os 40%. Este tipo de tratamento farmacológico não é indicado para diabéticos ou pessoas com problemas circulatórios e deve ser interrompido caso ocorra prurido, ardor ou dor, não devendo ser aplicado em zonas exsudativas ou infectadas.

Medidas adjuvantes e preventivas:

- O uso de almofadas e anéis protectores alivia a dor causada pelo calo ou calosidade, desde que não estes sejam colocados sobre os mesmos, mas sim à sua volta, sobre os tecidos que os rodeiam.
- Se a causa dos calos ou calosidades for externa, é essencial modificar determinados hábitos, sobretudo deixar de utilizar sapatos apertados ou de formato desaconselhável;
- Procurar melhorar a postura e a marcha;
- Realizar uma correcta higiene dos pés: lavagem diária com água morna ou fria e um sabão suave, secar bem (especialmente o espaço interdigital), esfoliar e hidratar os pés regularmente. Nos doentes de risco (com diabetes, doenças neurológicas ou idosos) o cuidado dos pés deverá merecer uma atenção particular.

Onde procurar ajuda?

O farmacêutico, o médico e o podologista são técnicos que auxiliam no tratamento dos calos e calosidades.
Deve estar disponível para o aconselhamento do farmacêutico em relação a:
- Cuidados na aplicação de produtos farmacêuticos, pois alguns são corrosivos; é necessário suspender o tratamento perante indícios de inflamação, pele irritada e/ou vermelha, inchaço ou dor após a aplicação;
- Modo de colocação do penso ou das almofadas protectoras;
- Escolha de produtos de saúde e conforto e de acessórios que ajudam a prevenir e corrigir pequenas deformidades do pé ou a promover o conforto.

Deve recorrer ao médico e ao podologista se possui alguma das seguintes condições:
– Diabetes, doença circulatória periférica, artrite ou contra-indicação ao uso de calicidas;
– Lesões extensas, graves ou complicadas por hemorragia ou infecção;
– Presença de defeito anatómico;
– Existência de incapacidade física ou mental que dificulte a correcta aplicação de produtos queratolíticos;
– Falha da terapêutica com queratolíticos.

Poderá recorrer ao podologista para tratamentos especializados do pé, nomeadamente a:
- Eliminação e prevenção de calos e calosidades: é a medida inicial mais eficaz face à adopção de posturas incorrectas;
- Confecção de ortóteses digitais  (usualmente de silicone) e ortóteses plantares (vulgo “palmilhas”): são os tratamentos mais indicados para a eliminação das causas dos calos e calosidades, suprimindo a pressão e fricção ou procedendo à redistribuição da pressão pelo pé. Assim, é evitado o reaparecimento destas patologias, que são tratadas de forma definitiva.

* Farmacêutico e colaborador da Farmácia do Caniço desde 2009

Bibliografia:

Aroso, P. (2000). Os pés – o seu segundo coração. ‘Farmácia Saúde’ da Associação Nacional de Farmácias. 44.
Mendes, A. (2007). Calos e calosidades. ‘Centro de Informação do Medicamento’ da Ordem dos Farmacêuticos. 55: 65 - 66
Santos, M. (2009). Cuidados com os pés. ‘Farmácia Saúde’ da Associação Nacional de Farmácias. 149: 44 – 45.
Associação Portuguesa de Podologia em www.appodologia.com


 


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