JUNHO 2009
ENTREVISTA COM ISABEL FRANÇA AGUIAR - LPCC

Isabel França Aguiar: Voluntários precisam-se na luta contra o cancro

Isabel França Aguiar, responsável do núcleo regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, explica em entrevista como funciona a instituição e quais as principais actividades desenvolvidas na Região Autónoma da Madeira, lançando um apelo para que mais pessoas se juntem, como voluntários, à luta contra o cancro.

Quantas pessoas colaboram com a Liga Portuguesa Contra o Cancro na Madeira?
Temos cerca de 30 voluntários activos. É um número que parece significativo, mas temos de ter em conta que o tempo que as pessoas podem dar é limitado, o que faz com que sejamos muito poucos atendendo todo o trabalho que há para fazer. Também temos três colaboradores – duas administrativas e um financeiro – que trabalham connosco a tempo inteiro, mas ao mesmo tempo também são voluntários no seu tempo livre. As pessoas que querem ajudar conseguem sempre encontrar um pouco de tempo – o importante é que esse tempo seja bem estruturado.

O que deve fazer uma pessoa que queira colaborar convosco como voluntário?
Primeiro deve entrar em contacto connosco telefonicamente, para marcar uma entrevista, através do número 291236597 ou do 938435735. No dia da entrevista, deve preencher um formulário com os seus dados e deve indicar que tipo de voluntariado pretende fazer.
Temos diferentes tipos de voluntariado – por exemplo, o trabalho no Hospital, onde há uma escala de voluntários no chamado ‘Hospital de Dia’. Aqui é onde são feitos os tratamentos de quimioterapia e as consultas médicas de oncologia. Só alguns voluntários estão preparados e querem subir ao 8º piso, aos internamentos, onde estão os casos mais complicados. Em breve teremos também voluntários na ‘Casa da Liga’, que está a ser construída nos jardins do Hospital Central do Funchal, e que deve estar concluída neste mês de Junho. Em Julho, prevemos que já esteja a funcionar em pleno. Temos também aqueles voluntários que desempenham um voluntariado mais pontual, como por exemplo, no peditório, no ‘Mercadinho’, e noutras acções esporádicas. Contudo, precisamos ainda de voluntários para ajudar tanto na ‘Casa da Liga’ como dentro do próprio Hospital.

É preciso ter algum tipo de experiência?
Não, porque todos os anos temos uma formação para novos voluntários. Também convém salientar que os novos voluntários são sempre apoiados pelos voluntários mais experientes, que estão lá para explicar como se deve fazer, etc. O nosso papel dentro do Hospital passa por ser uma extensão dos técnicos de saúde, porque estes, devido ao muito trabalho que têm e ao número de doentes sempre a crescer, muitas vezes não têm tempo para conversar com os pacientes como gostariam. Por vezes, basta mesmo só dar-lhes a mão ou fazer-lhes companhia. A parte psicológica conta muito na luta contra esta doença. Claro que os voluntários devem ter alguma sensibilidade para ver se o doente quer ou não ser ‘interpelado’ pelo voluntário da Liga, uma vez que há pessoas que, de facto, preferem estar sozinhas. Mas, regra geral, isso acontece apenas na primeira fase da doença e depois verificamos que é muito importante para os doentes terem este nosso apoio.

Ou seja, qualquer pessoa pode ser voluntário?
Este é um tipo de voluntariado que não é “pesado”, ao contrário do que muita gente pensa, mas também não será ‘qualquer’ pessoa que o pode fazer! Funciona, como já referi, no chamado ‘Hospital de Dia’, onde estão as consultas de hemato-oncologia. Como referi também, temos os voluntários que dão apoio aos doentes, que numa fase mais adiantada da doença, estão internados no 8º piso do Hospital. Neste caso, já é preciso ter uma preparação psicológica forte e só fazem voluntariado aí as pessoas que realmente o desejam. Vamos ter muito proximamente, como também já referi, um terceiro tipo de voluntários, na ‘Casa da Liga’, de modo a manter a casa sempre aberta, fornecendo apoio e informação. Há muitos doentes que vão ao Hospital e passam lá muitas horas porque muitas vezes as consultas e os tratamentos são marcados no mesmo dia. Assim, poderão ir até à ‘Casa da Liga’ entre o tempo de espera, ver TV, conversar com outras pessoas e desse modo distrair-se um pouco. Ou seja, este é um projecto que visa amenizar a estadia das pessoas no hospital. Também é preciso ter em conta que nem só os doentes precisam de apoio: por vezes os familiares precisam ainda mais que o próprio paciente.

E fora do Hospital, que tipo de apoio fornecem?
Aqui, na sede da Liga também apoiamos os doentes: fornecemos próteses, cabeleiras, roupa adequada para mulheres mastectomizadas, como fatos de banho, t-shirts, lenços, etc., o que conseguimos a um preço de venda mais baixo, através das empresas fornecedoras. Nos casos em que os doentes são pessoas comprovadamente necessitadas, muitas vezes oferecemos o material. Também apoiamos economicamente uma média de 50 doentes, a quem damos uma determinada quantia por mês. Noutros casos, em que seja preciso um apoio esporádico, também tentamos ajudar. Já houve, por exemplo, um doente para quem construímos o acesso coberto à casa de banho, porque esta era exterior. Tentamos sempre ir de encontro às solicitações que nos são propostas.

Mas isso obriga a gerir o vosso orçamento de maneira rigorosa?
Muitas vezes somos obrigados a fazer escolhas difíceis porque o nosso orçamento não chega para ajudar toda a gente e temos de seleccionar aqueles que precisam mais.
É feita uma análise caso a caso, uma vez que temos de gerir muito bem os nossos fundos. Hoje em dia há muito desemprego e também há muitas pessoas a trabalhar com contratos a termo certo e se adoecem, os contratos não são renovados. Existem casos desesperados, com rendas de casa por pagar e contas com atrasos de muitos meses. Há pouco tempo, foi aberta uma unidade de radioterapia na Região, o que é muito positivo, porque muitos doentes que tinham de ir ao Continente para fazer os tratamentos agora podem fazê-los cá, evitando assim fazer algumas despesas que apareciam associadas a essas deslocações.

Como fazem para financiar as vossas actividades?
Até há bem pouco tempo, o peditório era a nossa principal fonte de fundos, em conjunto com uma bolsa que recebemos da fundação J. B. Fernandes, que tem sede nos Estados Unidos. Também recebemos donativos - as pessoas interessadas podem dirigir-se à Liga e no momento em que fazem o donativo recebem desde logo o recibo, ou podem pedir o nosso NIB e fazer uma transferência e posteriormente enviamos o recibo por correio. Os donativos têm benefícios fiscais, podendo ser abatidos no IRS a 140%. Também aceitamos donativos em espécie: no Natal sempre oferecemos um cabaz aos doentes e pedimos a supermercados que colaborem connosco e a maior parte adere. Temos também uma nova iniciativa, chamada “Mercadinho da Liga”, que este ano ocorreu há umas semanas atrás, em que vendemos de tudo. Há muitas pessoas que têm em casa coisas em bom estado e que já não usam e nós vendemo-las para angariar fundos. Gostaríamos de ter um espaço sempre aberto para receber coisas que as pessoas queiram doar, mas ainda não surgiu a oportunidade. Se tivéssemos esse espaço talvez pudéssemos fazer estas iniciativas mais vezes ao longo do ano, o que seria óptimo. Por vezes também fazemos rifas, temos ainda a marcha pela saúde…

Fale-nos um pouco do vosso último projecto, “Um Dia Pela Vida”…
Essa é uma iniciativa da American Cancer Society, chamada Relay For Life no original, que em Portugal resulta de um acordo assinado com a Liga Portuguesa Contra o Cancro e que é uma maneira de apelar à população civil a participar na luta contra esta doença que hoje em dia toca a todos nós de uma forma ou de outra. É uma acção que foi lançada aqui na Madeira a 22 de Maio e que irá decorrer até 26 de Setembro. O último dia da campanha será festejado em grande: serão 24 horas a caminhar contra o cancro!  Aqui na Madeira, a base é o Funchal, e de facto a Câmara Municipal é um dos nossos parceiros, mas também poderão existir acções nos outros concelhos. As pessoas devem inscrever-se e formar equipas entre 8 a 20 elementos e essas equipas podem fazer praticamente tudo aquilo que quiserem para angariar fundos para esta causa. A inscrição tem um valor de 10 euros por pessoa, que também é uma forma de contribuir. Para muita gente, especialmente para os jovens, pode ser um montante elevado, mas nestes casos, as primeiras acções que façam podem servir para pagar o valor da inscrição. Cada equipa terá um capitão e um sub-capitão, que serão os responsáveis por essa mesma equipa. As equipas poderão organizar várias iniciativas, tais como: passeios a pé, um jogo de futebol, fazer feiras de artesanato, vender bolos, até fazer uma reunião de família para jogar às cartas e pedir às pessoas uma verba simbólica para participar. Ou seja, esta pode ser uma forma divertida de participar na luta contra o cancro. Neste momento, o Relay for Life é a maior fonte de receita para a American Câncer Society e uma parte do dinheiro angariado é usado para a investigação sobre o cancro.

Quais são as vossas expectativas em termos de participação das pessoas?
São boas, porque a partir do momento em que as pessoas conhecem o projecto querem imediatamente aderir, especialmente os jovens. Esta iniciativa busca também apelar à comunicação entre as pessoas, porque esta é uma forma de apelar à interacção dentro da comunidade, pelo que as pessoas respondem, de facto, com entusiasmo. No dia de fecho, a 26 de Setembro, há uma acção que está planeada para o Parque de Santa Catarina, no Funchal. Vai haver uma caminhada que parte da sede da Câmara Municipal e que terminará no Parque. As equipas vão estar todas representadas e teremos várias actividades, como teatro, dança, jogos, música, … Haverá também uma mesa central em que quem quiser poderá adquirir uma luminária para depois participar numa cerimónia muito bonita, que irá decorrer à noite, para recordar aqueles que já partiram.

Com a chegada do Verão, têm algumas acções planeadas em termos de sensibilização para a protecção solar?
As nossas actividades incluem, de facto, as campanhas de prevenção. Temos uma acção que é chamada o “Cancro Sobre Rodas”, em que percorremos a Ilha com a nossa carrinha e fazemos acções de sensibilização, acompanhados por médicos, técnicos de saúde e voluntários. Também vamos às escolas, consoante o que nos é solicitado, feiras de saúde, etc. Neste caso específico da protecção solar, todos os anos percorremos as praias da Ilha e fazemos acções de sensibilização. Abordamos as pessoas à entrada das praias, entregamos folhetos e temos também algum material como chapéus e leques.

Onde é que as pessoas podem obter mais informação sobre o cancro?
Podem, por exemplo, aceder ao site da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que está disponível em www.ligacontracancro.pt. Temos também uma linha verde – o número é o 808255255 – que as pessoas podem ligar para fazer todas as perguntas que queiram relativamente ao cancro. Esta linha é operada por pessoas formadas e habilitadas para retirar todas as dúvidas que possam ter. Apesar dos patrocínios, a Liga Portuguesa Contra o Cancro está a fazer um grande esforço para manter esta linha, porque tem custos elevados, mas acreditamos que é um esforço que vale a pena.


 


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