JANEIRO 2010
PREVENÇÃO DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

Dra. Sónia Gonçalves*

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são doenças infecciosas que geralmente se manifestam de uma forma aguda mas que podem tornar-se crónicas. Estas doenças podem trazer consequências graves como infertilidade, impotência, aborto, malformações no feto, cancro no colo do útero, predisposição para a contaminação pelo HIV e, eventualmente, a morte.

Os microrganismos que estão na origem destas doenças são muito variados – vírus, bactérias, fungos, protozoários e ectoparasitas. Eles não existem livremente no meio ambiente nem são veiculados por animais, sendo extremamente sensíveis a agentes químicos e físicos, como por exemplo lixívia, água oxigenada, detergentes, álcool a 70% e calor. Como tal, as DSTs são, em geral, transmitidas essencialmente por contacto sexual com portadores assintomáticos.

No entanto, o simples contacto não justifica o aparecimento de uma doença sexualmente transmissível. Existem factores relacionados com o microrganismo e com o hospedeiro (homem) que facilitam o desenvolvimento da mesma.

A probabilidade de haver uma infecção produtiva varia com a quantidade de fluido infectante com que o hospedeiro entra em contacto, com o tecido com o qual ocorre o contacto (especificidade celular), assim como com a concentração de microrganismo existente nesse fluido (dose infectante).

Em relação ao hospedeiro, factores como o sexo, a idade, a susceptibilidade genética e imunológica assim como a existência de alguma doença prévia têm grande relevância para o desenvolvimento da doença. A má higiene diária pessoal também pode ser um agente facilitador da infecção. Utilizar produtos apropriados ao pH e flora genital diminuem a susceptibilidade a estas doenças.

Como já foi referido, as DSTs são essencialmente transmitidas por via sexual. Esta é a via mais importante pois todos os microrganismos causadores estão especificamente adaptados ao tracto genital, sendo que a prevenção da transmissão de uma doença deste tipo deve fazer-se sobretudo a este nível, com a utilização do preservativo.

Mas atenção! O preservativo deverá ser utilizado correctamente (seguir instruções do fabricante) e sempre, em todas as relações sexuais (vaginais, anais e orais), desde o início ao fim da relação, evitando desta forma, qualquer contacto directo entre mucosas. Isto deve ser feito independentemente de apenas possuir um parceiro sexual.

O preservativo não deverá ser reutilizado. Deverão ser evitados os óleos ou lubrificantes à base de óleos, pois danificam o látex. Deverão antes ser utilizados lubrificantes à base de água, como a glicerina. Apesar de ser o melhor método de prevenção de DSTs, o preservativo não evita a contaminação quando existem lesões expostas mais externamente, em áreas não cobertas por ele.

A toma de uma pílula contraceptiva, a utilização de um DIU (dispositivo intra-uterino), vasectomias, esterilização feminina e a maioria dos outros métodos anticoncepcionais não substituem o uso de preservativo, pois não evitam as DSTs. Não havendo possibilidade de utilizar o preservativo, podem ser utilizados espermicidas com acção antisséptica, ou outros métodos-barreira, como por exemplo diafragmas e cervical caps, que também permitem alguma protecção.

Outra medida que diminui consideravelmente a probabilidade de disseminação de uma DST é a redução do número de parceiros sexuais, e se possível, a monogamia, pois quanto menor o número de companheiros, menor a probabilidade de contaminação e de posterior transmissão. 

No caso da doença já se encontrar instalada, o tempo com que a pessoa permanecerá com a infecção vai depender do período sintomático característico da própria doença, da sensibilidade do microrganismo a antibióticos, bem como dos cuidados de saúde do hospedeiro (estado de saúde prévio, acesso a tratamento adequado, adesão ao mesmo e cumprimento de indicações dadas pelos profissionais de saúde).

É possível que o parceiro sexual também esteja infectado, tendo de fazer tratamento, sendo que deverão ser evitadas relações sexuais enquanto não estiver garantida a cura de ambos os parceiros. No fundo, como prevenção, deverá ser feito um check-up sempre que possível, pois, como já foi referido, muitos portadores são assintomáticos.

Em suma, a monogamia e a utilização de preservativo são as melhores formas de evitar uma DST, sendo por isso, indicadores de conduta consciente e de comportamento responsável, constituindo um motivo de respeito e orientação para outros.

Bibliografia

• http://www.infoforhealth.org.
• X Curso de Formação de Mediadores para a Educação na Saúde em SIDA, DST’s e Toxicodependência – Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

* Farmacêutica e colaboradora da Farmácia do Caniço desde 2009


 


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